Peça Técnica Delegado PCDF 2026: Como Gabaritar | Estratégias e Questão Inédita Resolvida

O concurso para Delegado de Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) 2026 é, sem sombra de dúvida, uma das oportunidades mais interessantes da carreira policial no Brasil. São 50 vagas imediatas e mais 100 em cadastro de reserva, com subsídio inicial de R$ 26.690,15 e remuneração total que ultrapassa os 28 mil reais. Ultrapassando os 40 mil de remuneração (subsídio + benefícios) ao final da carreira, após 13 anos. Trata-se de um dos maiores subsídios dentre as polícias civis de todo o país.

E não para por aí. Além do subsídio, o Delegado da PCDF conta com benefícios que ampliam consideravelmente a remuneração líquida: auxílio-alimentação, plano de saúde gratuito para o servidor e dependentes, auxílio-uniforme pago anualmente, auxílio-creche e, sobretudo, a possibilidade de realizar plantões extras por meio do Serviço Voluntário Gratificado (SVG) — que, na prática, pode elevar significativamente os rendimentos mensais. A soma dessas vantagens coloca a carreira de Delegado da PCDF como uma das mais bem remuneradas e atrativas do serviço público brasileiro.

Pois bem. Se chegou até aqui é porque já sabe de tudo isso e também já notou que a prova discursiva será decisiva e que trás um desafio considerável, as temidas peças técnicas de polícia judiciária. Fique tranquilo! Está no lugar certo para entender como gabaritar essa etapa.

Fica comigo nesta leitura que vamos, juntos, descomplicar esse tema e te entregar um verdadeiro mapa para gabaritar a peça técnica. Além disso, ao final, resolvemos uma questão inédita de tema quente para o concurso, com comentários detalhados do professor.


Panorama geral do concurso Delegado PCDF 2026

Antes de mergulharmos nas estratégias para a peça técnica, vamos a um panorama rápido do concurso para que você tenha clareza do cenário completo.

InformaçãoDetalhe
Banca organizadoraCEBRASPE
Vagas50 imediatas + 100 cadastro reserva (150 total)
CargoDelegado de Polícia Civil do DF
EscolaridadeBacharelado em Direito + 3 anos de atividade jurídica ou policial
Remuneração inicial (3ª classe)R$ 26.690,15 + benefícios
Remuneração final (Classe Especial)R$ 38.872,66 + benefícios
BenefíciosAuxílio-alimentação, plano de saúde, auxílio-uniforme, serviço voluntário gratificado, auxílio-creche
Jornada40h semanais – dedicação exclusiva
Inscrições e Taxa6 a 27 de abril de 2026 – R$ 310,00
Provas (objetiva + discursiva)14 de junho de 2026
EditalAcesse aqui

O concurso será realizado integralmente no Distrito Federal e envolve múltiplas etapas:

  • prova objetiva,
  • prova discursiva,
  • prova oral,
  • teste de aptidão física (TAF),
  • exames médicos e biométricos,
  • avaliação psicológica,
  • sindicância de vida pregressa,
  • curso de formação profissional e
  • avaliação de títulos.

Contudo, entre todas essas fases, as etapas mais decisivas para a aprovação e nomeação são, de longe, a prova objetiva e a prova discursiva. É nelas que a maior parte dos candidatos é eliminada — e é nelas que se constroem as classificações definitivas.


Estrutura do concurso: prova objetiva e prova discursiva

Prova Objetiva (P1)

A prova objetiva será aplicada no turno da manhã, com 3 horas e 30 minutos de duração, e é composta por 120 itens no formato “certo ou errado”, com fator de correção — ou seja, cada erro anula um acerto.

As disciplinas cobradas abrangem conhecimentos gerais (como Língua Portuguesa, Raciocínio Lógico e Informática) e conhecimentos específicos das áreas jurídicas exigidas no edital.

Prova Discursiva (P2 e P3)

A prova discursiva será aplicada no turno da tarde, com incríveis 6 horas de duração — o que demonstra o grau de profundidade e complexidade esperado pela banca. Ela é composta por duas partes distintas:

ComponenteConteúdoPontuação
P2 — Questões discursivas3 questões sobre disciplinas de conhecimentos do edital, de até 30 linhas10 pts cada = 30 pontos
P3 — Peça de Polícia Judiciária1 peça prático-profissional relativa à atividade de polícia judiciária, de até 90 linhas30 pontos
Total da discursiva60 pontos

Perceba a estrutura: enquanto as 3 questões dissertativas da P2 cobram exposição jurídica sobre temas diversos (podendo envolver Direito Administrativo, Constitucional, Penal, Processual Penal, Civil, Ambiental, entre outras), a peça técnica da P3 é focada na prática profissional de polícia judiciária — exigindo que o candidato elabore um documento real, nos moldes do que o Delegado de Polícia produz no exercício de suas funções.


Por que a discursiva e a peça técnica podem ser decisivas para sua aprovação?

Agora preste atenção nestes números, porque eles dizem muito sobre a importância estratégica da discursiva e também da peça técnica.

As etapas mais determinantes para a aprovação e nomeação são, como dissemos, a prova objetiva e a prova discursiva. Vamos considerar a pontuação conjunta dessas duas fases:

  • Prova objetiva: 120 pontos (antes do fator de correção)
  • Prova discursiva: 60 pontos
  • Total potencial (objetiva + discursiva): 180 pontos

Agora, consideremos um cenário realista. A prova objetiva do CEBRASPE utiliza o formato certo ou errado com fator negativo (uma errada anula uma certa). Em provas desse nível, um ponto de corte na faixa de 65% da pontuação máxima é bastante razoável — o que corresponderia a algo em torno de 78 pontos na objetiva (ou seja, acertando cerca de 99 itens e errando 21, por exemplo).

Nesse cenário, um candidato bem preparado na discursiva — capaz de tirar 55 dos 60 pontos — totalizaria 133 pontos. E desses 133 pontos, a discursiva representaria mais de 41% da nota final. É muita coisa.

Dentro da discursiva, a peça técnica vale 30 dos 60 pontos — ou seja, metade da discursiva e aproximadamente 22% a 23% de toda a pontuação das etapas decisivas. E atenção: a peça técnica é uma questão única, de 30 pontos, contra as 3 questões dissertativas que somam os mesmos 30 pontos. Traduzindo: a peça técnica vale, sozinha, o triplo de cada questão dissertativa individual.

Agora pense o contrário: se você for razoavelmente bem nas três questões dissertativas (digamos, 23 dos 30 pontos), mas descuidar da preparação para peça técnica e tirar apenas 8 dos 30 pontos, sua nota na discursiva cairia para 31 — beirando a eliminação. Ou seja, a peça técnica tem o poder de alavancar ou derrubar toda a sua discursiva e, por consequência, toda a sua classificação.

Para quem se prepara bem, a discursiva é ouro. É nela que você pode saltar dezenas de posições na classificação — e a peça técnica é a joia da coroa.


Características das peças técnicas de polícia judiciária

Muito bem. Agora que você já compreendeu a dimensão estratégica da peça técnica, vamos ao que realmente interessa: como dominar esse tipo de questão.

A maior dificuldade — e a grande novidade para muitos candidatos, mesmo os que já estudam Direito Penal e Processual Penal — é que a peça de polícia judiciária não é uma questão dissertativa comum. Ela é um documento formal com estrutura própria, tipologia textual específica e linguagem técnico-jurídica diferenciada.

Por isso, vamos dedicar este blog a demonstrar, de forma esquemática e direta, como estruturar uma peça técnica de polícia judiciária — independentemente de qual subespécie a banca exija.

O desafio textual: múltiplas tipologias em um só documento

Aqui está o ponto que muda tudo e que diferencia a peça de polícia judiciária de qualquer outra questão discursiva.

Nas provas discursivas tradicionais — inclusive nas 3 questões dissertativas do mesmo concurso (P2) —, o candidato é demandado a produzir, em regra, um texto dissertativo-expositivo ou argumentativo. Uma única tipologia, um único gênero. Você defende uma tese, demonstra conhecimento, articula argumentos. Fim.

Já nas peças de polícia judiciária, a realidade é completamente diferente. Em um mesmo documento, o candidato precisa dominar e combinar 5 tipologias textuais distintas, cada uma com função comunicativa própria:

TipologiaFunçãoExemplo na peça
InjuntivaOrdenar, determinar, requisitar“DETERMINO: a) Autue-se esta portaria…; b) Oficie-se ao juízo competente…”
ExpositivaContextualizar e fundamentar legalmente“A prisão temporária encontra previsão legal na Lei nº 7.960/1989, sendo cabível quando…”
Argumentativa técnicaJustificar e convencer com base jurídica, fática e probatória“A materialidade delitiva encontra-se demonstrada pelo auto de apreensão de fls. 15/16…”
DescritivaQualificar pessoas, objetos e circunstâncias“JOÃO DA SILVA, brasileiro, solteiro, motorista, nascido em 15/03/1985…”
Narrativa (sequenciação factual)Relatar fatos de forma objetiva e cronológica“Consta que no dia 10/01/2024, por volta das 14h30min, na saída do estacionamento…”

Perceba que, em uma única peça — por exemplo, uma Representação por Prisão Preventiva —, o candidato precisará:

  1. Narrar os fatos de forma objetiva (tipologia narrativa);
  2. Descrever os investigados e os elementos apreendidos (tipologia descritiva);
  3. Expor os fundamentos legais da medida (tipologia expositiva);
  4. Argumentar tecnicamente sobre a presença dos requisitos legais (tipologia argumentativa);
  5. Requerer a providência ao juízo (tipologia injuntiva).

É essa integração harmoniosa das tipologias que caracteriza uma peça técnica bem elaborada — e que a diferencia radicalmente de um simples texto dissertativo.

As 5 categorias de peças técnicas

As peças técnicas de polícia judiciária se organizam em 5 grandes categorias, que acompanham o ciclo natural do inquérito policial — do nascimento à conclusão da investigação:

CategoriaFunçãoExemplos
1. InauguraisIniciam o procedimento investigatórioPortaria de IP, Auto de Prisão em Flagrante (APF), TCO
2. DecisóriasImpulsionam o IP com decisões internasDespacho ratificador, Despacho de indiciamento, Despacho de diligências
3. RequisitóriasRequisitam dados/informações sem juizOfícios requisitórios (dados cadastrais, perícias, registros de viagem)
4. PetitóriasRequerem medidas ao Judiciário (reserva de jurisdição)Representações (prisão preventiva/temporária, busca e apreensão, interceptação, sigilo bancário, etc.)
5. ConclusivasEncerram o IPRelatório Final (com/sem indiciamento, com sugestão de arquivamento)

Essa sequência é lógica e importa: as peças inaugurais abrem a investigação, as decisórias a impulsionam, as requisitórias e petitórias são o motor investigativo (obtendo dados e medidas necessárias), e as conclusivas encerram o procedimento. Compreender essa lógica facilita enormemente o trabalho de identificação da peça adequada no dia da prova.

Estrutura geral das peças técnicas: os 8 blocos universais

Neste ponto, vou te entregar algo que pode literalmente salvar sua prova: uma estrutura universal que se aplica a a grande maioria das peças técnicas de polícia judiciária.

Após análise detalhada de todas as 5 categorias de peças — com seus mais de 20 subtipos —, é possível identificar uma única estrutura de 8 blocos, proposta por nós da Científica Discursivas, que se repete quase sempre. O que muda de uma peça para outra são apenas adaptações pontuais dentro de cada bloco e a ausência de um ou outro bloco.

E o que isso significa para você? Significa que, se você interiorizar esses 8 blocos, terá um esqueleto-mestre que funciona como rede de segurança: mesmo sem lembrar dos detalhes específicos de determinada peça, conseguirá montar algo estruturalmente correto e angariar a maior parte da pontuação.

Os 8 blocos universais

BlocoNomeFunção
🏛️ B1IdentificaçãoTítulo da peça + nº do procedimento + delegacia + crime + investigado
📬 B2EndereçamentoA quem se dirige (juiz? MP? órgão externo? interno?)
🔑 B3LegitimaçãoO delegado se apresenta e demonstra autoridade para atuar
📖 B4ContextualizaçãoNarrativa dos fatos (o que aconteceu e como chegou ao delegado)
⚖️ B5FundamentaçãoBase legal + análise jurídica + requisitos (bloco que mais varia)
B6DispositivoO verbo performativo central (DETERMINO / REPRESENTO / REQUISITO / RELATO)
📋 B7ProvidênciasDiligências complementares (comunicações, ofícios, intimações)
✍️ B8FechamentoExpressão de encerramento + local + data + assinatura + cargo

A lógica é intuitiva e pode ser sintetizada em uma frase simples:

Cada bloco funciona como uma peça de quebra-cabeça. Encaixados na ordem certa, formam qualquer documento de polícia judiciária.


Como identificar qual peça técnica o enunciado pede?

Identificar rapidamente qual peça escrever é, talvez, o passo mais crítico de toda a prova. Errar a peça já tira pontos importantes e descrebiliza todo restante — por melhor que seja sua fundamentação.

Para resolver esse problema, desenvolvemos em nosso preparatório o Macete das 4 Perguntas, um método simples e infalível que, aplicado em sequência, identifica a peça correta em segundos:

O Macete das 4 Perguntas

Com apenas 4 perguntas respondidas na sequência, você já identifica a etapa exata e, por consequência, o tipo de peça que deve ser elaborada.

Os Macetes Complementares

Além das 4 perguntas, dois macetes complementares são fundamentais para evitar os erros mais frequentes em prova:

Macete 1 — Ofício vs. Representação (a regra de ouro):

Se a medida restringe direito fundamental (liberdade, domicílio, sigilo das comunicações, patrimônio) → precisa de juiz → é Representação (Etapa 4).

Se não restringe → é Ofício (Etapa 3).

Macete 2 — Preventiva vs. Temporária:

Preventiva: qualquer fase (IP ou processo), sem prazo, fundamento no periculum libertatis (art. 312, CPP).

Temporária: exclusiva do IP, prazo determinado, rol taxativo de crimes, 5 requisitos cumulativos.

Os gatilhos de identificação

Além dos macetes, cada peça possui palavras-chave (gatilhos) que aparecem nos enunciados e apontam diretamente para ela. Em nosso preparatório completo, sistematizamos a grande maioria desses gatilhos em tabelas rápidas de consulta — mas aqui vai uma amostra dos mais recorrentes:

Palavras-chave no enunciadoPeça indicada
Flagrante, preso em flagrante, conduzido à delegaciaAPF (inaugural)
Ratificar flagrante, homologar, despacho no APFDespacho ratificador (decisória)
Organização criminosa, ORCRIM, dados cadastrais, reservas de viagemOfício requisitório — Lei 12.850/13 (requisitória)
Garantia da ordem pública, risco de fuga, reiteraçãoRepresentação por prisão preventiva (petitória)
Interceptação, escuta telefônica, WhatsAppRepresentação por interceptação (petitória)
Sigilo bancário, movimentação financeiraRepresentação por afastamento de sigilo (petitória)
Autoria comprovada, encerrar IP, remeter autosRelatório Final (conclusiva)

[INSERIR IMAGEM: Fluxograma completo de decisão — Macete das 4 Perguntas + Gatilhos]


Hora de colocar a mão na massa: questão inédita resolvida

Até aqui, apresentamos o panorama estratégico, as categorias de peças, as tipologias textuais, a estrutura universal de 8 blocos e o método de identificação rápida. Tudo isso é essencial — mas, sozinho, não é suficiente.

É fundamental que o candidato compreenda, na prática, como preencher cada um dos 8 blocos de forma concreta, adaptando a estrutura ao caso específico do enunciado. E para ficar ainda mais didático, vamos fazer isso agora mesmo, com a mão na massa, resolvendo uma questão inédita de tema quente para o concurso de Delegado da PCDF.

O tema envolve organização criminosa, afastamento de sigilo bancário e lavagem de dinheiro — assuntos de altíssima relevância para qualquer concurso de Delegado e particularmente pertinentes à atuação da PCDF.

Enunciado da questão


Comentários do professor: análise estratégica antes da redação

Uma das grandes vantagens do nosso preparatório completo é que todas as questões contam com comentários prévios detalhados do professor. Essa etapa é crucial: antes de sair escrevendo, o candidato precisa planejar a peça, identificando qual documento redigir, quais fundamentos legais utilizar e como organizar cada bloco.

Em nosso curso, sempre remetemos aos esquemas, macetes e bizus já estudados, de modo que o aluno não precise perder tempo imaginando ou tentando lembrar de memória o que compõe cada peça. É tudo direto, objetivo e sistematizado, facilitando a familiarização com as estruturas necessárias. Veja como funciona na prática:

1. Aplicação do Macete das 4 Perguntas

Vamos aplicar, passo a passo, o método que você aprendeu acima:

1ª Pergunta: “O IP existe?”SIM. O enunciado menciona “investigação de organização criminosa” em curso na Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, indicando procedimento investigatório já instaurado.

2ª Pergunta: “É uma decisão interna do delegado?”NÃO. O enunciado solicita peça para requisição de informações junto a terceiro externo (LATAM Airlines).

3ª Pergunta: “Precisa de juiz?”NÃOEtapa 3 (Requisitórias)

E por que não precisa de juiz? Porque estamos diante de investigação de organização criminosa (Lei 12.850/13), cujos arts. 15 e 16 autorizam o acesso direto da autoridade policial a dados cadastrais e registros de viagem — sem necessidade de autorização judicial.

Conclusão do fluxograma: a peça é um Ofício Requisitório fundamentado na Lei 12.850/2013 (Lei de Organizações Criminosas).

2. Gatilhos identificados no enunciado

Ao ler o enunciado com atenção, diversos gatilhos confirmam a peça e orientam a fundamentação:

Gatilho no enunciadoO que indica
“organização criminosa”Lei 12.850/13 como base legal
“dados cadastrais básicos”Art. 15 da Lei 12.850/13
“reservas de passagens aéreas”Art. 16 da Lei 12.850/13
“sem necessidade de autorização judicial prévia”Confirma dispensa de representação
“desobediência qualificada”Art. 21 da Lei 12.850/13 (crime específico)
“fundamento na Lei 12.850/2013”Confirma base legal específica

3. Teoria específica: a dupla base legal (Arts. 15 + 16)

Esta questão exige que o candidato conheça dois dispositivos fundamentais da Lei de Organizações Criminosas:

Art. 15 — Dados cadastrais: Autoriza o acesso direto a qualificação pessoal, filiação e endereço mantidos por operadoras de telecomunicações, instituições financeiras, provedores e administradoras de cartão — sem autorização judicial. As companhias aéreas se enquadram nesse âmbito de aplicação.

Art. 16 — Reservas e registros de viagem: Estabelece acesso direto e permanente aos bancos de dados de reservas e registros de viagem para juiz, MP e delegado de polícia, com prazo de guarda de 5 anos.

4. Desobediência qualificada — Art. 21 da Lei 12.850/13

Um ponto importantíssimo que o enunciado cobra expressamente: a advertência sobre a desobediência qualificada. Trata-se do art. 21 da Lei 12.850/13, que tipifica o crime de recusar ou omitir dados requisitados em investigação de organização criminosa. A pena é de reclusão de 6 meses a 2 anos e multa — significativamente mais grave que a desobediência comum do art. 330 do CP (detenção de 15 dias a 6 meses).

5. Estrutura aplicável — Os 8 Blocos no caso concreto

Com a peça identificada e os fundamentos mapeados, o preenchimento dos 8 blocos fica direto:

BlocoAplicação ao caso
🏛️ B1 — Identificação“OFÍCIO REQUISITÓRIO” + referência à Lei 12.850/13 + nº do IP
📬 B2 — EndereçamentoLATAM Airlines — Departamento Jurídico
🔑 B3 — LegitimaçãoArt. 2º, §2º, Lei 12.830/13 c/c arts. 15 e 16, Lei 12.850/13
📖 B4 — ContextualizaçãoInvestigação de ORCRIM + lavagem de dinheiro + uso de viagens para coordenação
⚖️ B5 — FundamentaçãoORCRIM + arts. 15/16 Lei 12.850/13 + dados de 1º grau + prazo de guarda de 5 anos
B6 — Dispositivo“REQUISITO” (verbo performativo)
📋 B7 — ProvidênciasPrazo de 10 dias + especificação dos dados + advertência art. 21 + forma de entrega
✍️ B8 — Fechamento“Termos em que pede deferimento” + qualificação do Delegado

6. Bizu da fundamentação dupla

Um alerta imprescindível para qualquer peça requisitória: sempre cite a dupla base legal:

  1. Base geral: Art. 2º, §2º, Lei 12.830/13 (que estabelece a prerrogativa do Delegado de requisitar informações);
  2. Base específica: Arts. 15 e 16 da Lei 12.850/13 (que autorizam o acesso direto no contexto de organização criminosa).

Essa fundamentação dupla é padrão exigido pelas bancas e demonstra ao examinador segurança técnica do candidato.


Proposta de resposta


E-book gratuito para sua preparação

Se este blog te ajudou a compreender a lógica da peça técnica e você quer continuar aprofundando seus estudos, temos um presente para você.

Disponibilizamos um e-book gratuito com estratégias, dicas e orientações para a prova discursiva. É um material pensado para complementar o que foi discutido aqui e te ajudar a consolidar os fundamentos necessários para chegar confiante no dia da prova.


Dicas finais: conheça nosso preparatório completo

Para encerrar, quero te convidar a conhecer o nosso Preparatório Completo para Discursiva de Delegado da PCDF pós-edital 2026, que aborda a metodologia completa da qual apresentamos pequena parte neste blog.

Ao longo deste blog, você teve uma amostra do que trabalhamos no curso — mas o que apresentamos aqui é apenas a ponta do iceberg. No preparatório completo, o aluno tem à disposição:

  • Capítulos teóricos detalhados, cobrindo desde a tipologia textual até a estrutura específica de cada uma das 5 categorias de peças (inaugurais, decisórias, requisitórias, petitórias e conclusivas);
  • Esqueletos prontos para cada tipologia textual (narrativa, descritiva, expositiva, argumentativa e injuntiva), que agilizam enormemente o processo de redação;
  • Macetes, bizus e alertas de prova sistematizados em tabelas rápidas de consulta, como o Macete das 4 Perguntas, os Gatilhos de Identificação e as Fórmulas Rápidas de Estrutura;
  • Elementos de ligação categorizados por função (sequência cronológica, fonte probatória, contraposição, conclusão, tipificação), que garantem coesão e coerência na peça;
  • Questões inéditas resolvidas de temas quentes, todas com comentários prévios do professor, aplicação dos macetes e proposta de resposta estruturada nos 8 blocos;
  • Fluxogramas e árvores de decisão visuais para identificação rápida da peça adequada.

Tudo foi pensado para que você não precise ficar imaginando, lembrando ou improvisando na hora da prova. O objetivo é simples e direto: transferir para o papel o conhecimento que você já tem (ou está construindo), dentro da estrutura que a banca CEBRASPE espera.

Se você leva a sério sua preparação para a peça técnica, esse é o caminho mais curto entre o enunciado e uma peça nota 10.


Se tiver qualquer dúvida, é só nos chamar. Estamos juntos nessa caminhada.

Feedback de aluno da Científica Concursos que ganhou várias posições no concurso pelo excelente desempenho na prova discursiva

Bons estudos e até a aprovação! 

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Prof Diego Souza
Prof e Mentor da Científica Concursos
Maior pontuação discursiva Perito PCDF

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