O concurso da Câmara dos Deputados 2025 salta aos olhos, já que pode pagar salários iniciais acima dos 30 mil reais. Então, se chegou até aqui é porque pode estar preocupado com a prova discursiva que poderá corresponder a mais de 30% da sua pontuação final. E, dentro dessa prova, a peça técnica da Câmara dos Deputados, sozinha, vale metade da discursiva — são 30 dos 60 pontos. Portanto, não podemos negligenciá-la. Aqui vamos apresentar uma questão discursiva inédita Câmara dos Deputados e ainda demonstrar como gabaritar a peça técnica.
Meu objetivo aqui é triplo: primeiro, eliminar qualquer mistério sobre como funciona a peça técnica; segundo, entregar estratégias práticas de estruturação que você pode aplicar imediatamente; e terceiro — talvez o mais valioso — resolver junto com você uma QUESTÃO DISCURSIVA INÉDITA para Câmara dos Deputados sobre um tema quente para esse concurso: a atuação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).
Então, se ficou preocupado com esse tipo de questão, pode respirar fundo e relaxar. Neste blog, vou desmistificar completamente como produzir uma peça técnica nota 10.
Você vai aprender:
- Por que a peça técnica merece sua atenção prioritária neste certame;
- A diferença crucial entre posicionamento técnico e opinião pessoal;
- Como montar cada parágrafo usando esqueletos prontos;
- Uma resolução comentada de questão sobre CPIs — da introdução à conclusão.
Portanto, fique comigo até o final — esse conteúdo pode valer dezenas de posições na sua classificação.
Panorama do Concurso Câmara dos Deputados
- Status: Edital publicado Câmara dos Deputados 2025-2026
- Banca organizadora: CESPE/CEBRASPE
- Vagas: 70 imediatas + 70 cadastro reserva
- Cargos: Analista e Técnico Legislativo
- Requisitos: nível superior
- Salários iniciais: de R$ 30,8 mil (Analista) a R$ 21 mil (Técnico)
- Data provável de prova: 8 de março de 2026.
- Lotações possíveis: exclusivamente em Brasília/DF
Estrutura do Concurso: Prova Objetiva e Prova Discursiva
Veja como as provas estão organizadas:
| Etapa | Turno | Duração | O que cobra | Pontuação |
|---|---|---|---|---|
| Objetiva | Manhã | 5h | 180 itens (Conhecimentos Gerais + Específicos) | 180 pts |
| Discursiva | Tarde | 3h | 2 questões de 20 linhas + 1 peça técnica de 50 linhas | 60 pts |
Numa visão imediata, a discursiva representa 25% do total. Mas essa conta esconde uma armadilha. O CEBRASPE aplica desconto por erro na objetiva — cada item errado anula um certo. Na prática, isso achata as notas e aproxima os candidatos. Se considerarmos um aproveitamento líquido de 70% na objetiva (cenário realista para quem vence essa etapa), a discursiva salta para representar mais de 30% da pontuação final efetiva.
E dentro da discursiva, a distribuição é desigual: a peça técnica (30 pts) sozinha equivale às duas questões discursivas somadas (15 + 15 pts). Menosprezar a importância da discursiva e da peça técnica é um erro estratégico grave, já que, nesses casos, aqueles que mandam muito bem costumam saltar/ganhar até dezenas de posições.
Como se distribuirá a pontuação da Peça Técnica?
O edital estabelece dois critérios de avaliação: domínio do conteúdo (NC) e domínio da modalidade escrita (NE). Baseado em padrões históricos do CEBRASPE, a distribuição aproximada é:
| O que é avaliado | Peso estimado |
|---|---|
| Atendimento aos tópicos/aspectos do enunciado | ~90% |
| Estrutura e apresentação textual | ~10% |
Essa informação é ouro. Significa que responder corretamente aos pontos solicitados vale muito mais do que caprichar em floreios introdutórios, ficar muito preocupado com estruturações previstas em manuais ou usar vocabulário rebuscado. O corretor quer ver conteúdo técnico, fundamentação legal e aplicação ao caso — nessa ordem de prioridade. Vamos ver tuddo isso na questão discursiva inédita Câmara dos Deputados, ainda neste blog.
Gestão do tempo: como dividir as 3 horas da tarde
| Tarefa | Tempo sugerido |
|---|---|
| Questão discursiva 1 | 40 min |
| Questão discursiva 2 | 40 min |
| Peça técnica | 80 min |
| Revisão final | 20 min |
Um alerta: esse tempo pode não comportar rascunho completo de todos os textos. A solução é trabalhar com esquema estrutural — anotar os tópicos principais em formato de lista e escrever diretamente na versão definitiva. Isso exige treino prévio, então comece a praticar agora.
Entendendo a peça técnica: o que a diferencia das demais questões
Existem basicamente três formatos de questão que cobram texto dissertativo-expositivo em concursos:
| Aspecto | Questão Discursiva | Estudo de Caso | Peça Técnica |
|---|---|---|---|
| Tamanho típico | 10-30 linhas | 30-60 linhas | 50-90 linhas |
| Situação hipotética | Nem sempre | Sim | Sim |
| Conclusão | Dispensável | Facultativa | Obrigatória |
| Posicionamento | Não exigido | Não exigido | Esperado |
A peça técnica — que pode aparecer como “parecer técnico” ou “relatório técnico” — pede que você analise um caso concreto e, ao final, se posicione tecnicamente. Aqui mora a confusão mais comum entre candidatos.
Posicionamento técnico não é opinião pessoal
Quando a banca espera um “posicionamento”, ela não quer saber se você concorda ou discorda de algo por convicção própria. O que se espera é uma conclusão fundamentada nos elementos técnicos, legais e jurisprudenciais que você apresentou ao longo do texto.
É como se você dissesse: “considerando A, B e C que expus acima, a conclusão tecnicamente adequada é X”. Não há espaço para preferências — apenas para aplicação lógica do conhecimento ao caso.
Além disso, a peça técnica normalmente termina com um encaminhamento à autoridade superior. Você, como servidor técnico, analisa e recomenda. Quem decide é a autoridade competente. Não se preocupe que já vamos ver tudo isso na prática.
Estrutura da Peça Técnica Câmara dos Deputados
A estrutura segue o padrão introdução + desenvolvimento + conclusão, mas com uma particularidade importante: a introdução é dividida em dois parágrafos curtos, cada um com função específica.

Agora, para que tudo isso faça sentido prático, vamos aplicar essas orientações a uma questão inédita Câmara dos Deputados. Acredito que a melhor forma de aprender é colocando a mão na massa.
Questão inédita Câmara dos Deputados: CPI, tema quente!
O tema das Comissões Parlamentares de Inquérito é estratégico para este concurso. As CPIs são instrumentos centrais da atividade fiscalizatória do Poder Legislativo — função primordial da Câmara dos Deputados. Não seria surpresa ver esse assunto cobrado na prova. E, por isso, foi escolhido para elaboração da inédita abaixo.

Identificando os tópicos obrigatórios
Antes de começar a escrever, o primeiro passo é mapear exatamente o que a banca quer. No caso dessa questão, os aspectos são:
a) Requisitos constitucionais e regimentais para criação de CPI, com foco no fato determinado;
b) Poderes investigatórios das CPIs e suas limitações constitucionais;
c) Análise da conclusão dos trabalhos e do não indiciamento;
d) Direitos dos investigados perante a CPI;
e) Controle judicial dos atos da CPI e cabimento do mandado de segurança.
Como se vê, são cinco tópicos/aspectos que precisam aparecer no seu texto. Cada um deles será tratado em um parágrafo de desenvolvimento.
Construindo a introdução: dois parágrafos com funções distintas
Primeiro parágrafo – Contextualização
Aqui você apresenta o que é o documento e qual o objeto da análise. Seja breve: 2 a 3 linhas bastam.
Elementos que devem constar:
- Natureza do documento (parecer, relatório, nota técnica, peça);
- Referência ao processo/demanda (se houver);
- Órgão/entidade envolvida (quando aplicável);
- Assunto central do caso (breve síntese do caso hipotético apresentado).
Um esqueleto possível:
Trata-se de [TIPO DO DOCUMENTO] de natureza técnica acerca de [ASSUNTO], conforme [REFERÊNCIA AO CASO], no âmbito de [ÓRGÃO/CONTEXTO].
Expressões de abertura: “Trata-se de…”; “Cuida-se de…”; “Versam os presentes autos sobre…”
Segundo parágrafo – Delimitação do escopo
Neste parágrafo você apresenta quais pontos serão analisados — que são exatamente os aspectos do comando da questão. É quase uma reprodução organizada do que foi pedido.
Modelo utilizável:
[RESUMO OU APONTAMENTOS DE DADOS FORNECIDOS]. Nesse contexto / Diante dos fatos, faz-se necessário / este relatório tem como objetivo a análise técnica, à luz da [LEGISLAÇÃO APLICÁVEL/LITERATURA], de [ASPECTO A], [ASPECTO B] e [ASPECTO C]. Passa-se à análise.
Expressões de transição: “Passa-se à análise.”; “Adentra-se ao mérito.”; “Procede-se à análise.”
Proposta de introdução para a questão de CPI


Observe que o primeiro parágrafo identifica tratar-se de parecer técnico sobre atuação de CPI em investigação de irregularidades financeiras. O segundo parágrafo lista os aspectos que serão abordados — os mesmos do enunciado — e faz a ponte para o desenvolvimento.
Desenvolvendo cada aspecto: a fórmula dos três elementos
O desenvolvimento é a parte em que você ganha ou perde a prova. Cada parágrafo deve abordar um aspecto solicitado, seguindo uma estrutura interna:

Conectando com o caso concreto
Sempre que possível, relacione o conteúdo técnico com a situação apresentada no enunciado:
- “…o que se verifica no caso em análise, uma vez que…”
- “…como ocorreu na situação apresentada, em que os dirigentes…”
- “…aplicando-se ao caso concreto, constata-se que…”
Proposta de desenvolvimento para a questão de CPI
Visualize que cada parágrafo segue o roteiro: apresenta o aspecto, desenvolve com fundamentação na CF/RICD/jurisprudência do STF, e quando cabível, relaciona com os fatos do enunciado (dirigentes invocando direito ao silêncio, impetração de MS, não indiciamento, etc.).



Fechando com chave de ouro: a conclusão em três momentos
A conclusão é obrigatória na peça técnica e deve contemplar preferencialmente três momentos em um único parágrafo:
| Momento | Função | Modelo / Expressões |
|---|---|---|
| 1º – Posicionamento Técnico | Apresentar sua conclusão técnica com base na análise realizada | “Diante do exposto, conclui-se que [SEU POSICIONAMENTO TÉCNICO].” |
| 2º – Recomendações Técnicas | Indicar o que deve ser feito com base nas conclusões, sempre fundamentado em normas | “Recomenda-se, com fundamento em [NORMA/LEI], [AÇÃO A], [AÇÃO B], [AÇÃO C].” |
| 3º – Encaminhamento à Análise Superior | Encaminhar a peça para a autoridade competente | “Submete-se, então, este parecer de natureza técnica à análise superior.” |
Uma proposta de esqueleto para conclusão
Diante do exposto, conclui-se que [POSICIONAMENTO TÉCNICO]. Recomenda-se, com fundamento em [NORMA/LEI/RESOLUÇÃO]: (i) [RECOMENDAÇÃO A]; (ii) [RECOMENDAÇÃO B]; (iii) [RECOMENDAÇÃO C]. Submete-se, então, este parecer de natureza técnica à análise superior.
Graduando seu posicionamento
Dependendo dos elementos do caso, você pode modular a intensidade da conclusão:
- “Conclui-se que há indícios de…” → dados inconclusivos
- “Conclui-se que há evidências de…” → dados consistentes
- “Conclui-se que restou configurado…” → dados conclusivos
Proposta de conclusão para a questão sobre a atuação da CPI

Note que a conclusão apresenta: (1) posicionamento técnico de que a CPI observou os requisitos constitucionais e respeitou garantias fundamentais; (2) recomendações de encaminhamento ao MPF, TCU, Receita Federal e CVM; (3) submissão à análise superior.
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O que oferecemos:
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O objetivo é simples: entregar exatamente o que você precisa para conquistar a nota máxima na discursiva.
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Recapitulando os pontos-chave
Antes de encerrar, vale fixar o que vimos:
- A peça técnica vale 30 pontos — metade da discursiva e potencialmente decisiva na classificação;
- A introdução deve possuir preferencialmente dois parágrafos: contextualização + delimitação do escopo;
- O desenvolvimento dedica um parágrafo por aspecto, seguindo a ordem do enunciado;
- A conclusão é obrigatória e contém posicionamento técnico + recomendações + encaminhamento;
- Posicionamento técnico não é opinião — é conclusão fundamentada nos elementos apresentados;
- Cerca de 90% da nota vem do atendimento aos tópicos solicitados (não se esqueça disso).
Dominar a peça técnica não é questão de talento — é questão de método. Com a estrutura certa e prática consistente, você estará à frente da maioria dos concorrentes.
Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários. E se este conteúdo foi útil, compartilhe com quem também está na luta pela Câmara dos Deputados.
Forte abraço e bons estudos!
Prof. Diego Souza
Maior nota na discursiva
Perito PCDF e Especialista ANM




